Pediu uma barca…

janeiro 12th, 2012

barquinho ancorado no Rio Pará

Jesus retirou-se para a beira do mar. Mas, não foi só. Com ele foram os discípulos e uma grande multidão procedente de várias regiões (Mc 3, 7-12). Os interesses da multidão eram os mais diversos: Milagres, prosperidade material, sucesso na vida amorosa… Isso nunca mudou muito! A aglomeração em torno de Jesus foi tanta que ele pediu que lhe providenciassem uma barca.  Da barca, “ensinava” a multidão. Muitas vezes, ao longo de seu ministério, Jesus escolheu a barca para ensinar. Talvez, por isso, ela seja uma das imagens mais ricas da Igreja.
Em Minas Gerais temos, ou tivemos muita proximidade com outro veículo de transporte: O trem de ferro! A palavra “trem” inclusive, se deslocou de seu lugar de origem e passou a nominar uma centena de coisas ou realidades. Apesar da imagem romântica de um trem cortando as montanhosas paisagens de Minas, em pouca coisa ele se assemelha a um barco. É pesado (de ferro!), e somente “caminha” sobre trilhos. Sua rota é previsível e sem aventuras. A barca é leve e flutua sobre as águas sem medo das ondas ou da profundidade do mar. A estabilidade de ferro, do trem, nos conforta, mas, nos priva das aventuras. A segurança da “Barca de Pedro”, da Igreja, não está no seu peso, mas na presença de Cristo. “Estarei com vocês todos os dias…” É essa presença que nos encoraja para enfrentar as ondas e as tempestades que ainda hoje acometem a embarcação. E a voz de Cristo ainda ecoa: “avançai por águas mais profundas”!
Na barca de Pedro, que é a Igreja, que tipo de passageiro você é? Ajuda a remar para frente ou rema na direção contrária? Colabora nas horas difíceis ou torce para afundar? Ajuda a puxar as redes ou apenas faz peso em cima do barco?
Pense nisso!

Estenda a mão!

janeiro 12th, 2012

hospitalpadreze.org

Naquele dia, o cerco estava armado. Era sábado e todos sabiam que Jesus, iria comparecer à Sinagoga. Entre a multidão, alguns doentes, curiosos, gente do povo e espiões. Esses últimos foram para bisbilhotar o comportamento do jovem de Nazaré com fama de profeta. O grupo dos espiões era formado por fariseus e herodianos (judeus que colaboravam com Herodes e lhe davam apoio politico). No meio da aglomeração de pessoas havia um homem com a mão seca, isto é, com a mão paralítica. Ele não disse nada e nada pediu. Sequer seu nome foi citado. Mas, tudo mudou quando viu que o olhar de Jesus pousou sobre ele.  Certamente, percebeu que Jesus vira todo seu sofrimento. Quase não acreditou ao ouvir que o mestre dirigiu-lhe a palavra: Estenda sua mão! O milagre foi instantâneo. Mal acabara de estender a mão e viu que ela recobrara todos os movimentos. O dom de Deus transformou a vida daquele homem, assim que foi acolhido. Penso que ainda hoje, esse dom nos é ofertado constantemente. Mas, será que somos capazes de estender a mão? A cena do evangelho me faz pensar nas inúmeras vezes que Deus me estendeu a mão, mas, eu não quis estender-lhe a minha…
Pedro, naquele dia, em que caminhava sobre as águas foi vencido pelo medo. Estendeu a mão para Jesus e não ficou sem resposta. Isso evitou que o discípulo fosse engolido pelas ondas. Pelo jeito, uma das especialidades de Deus é estender as mãos! Estendeu-as, sobre as crianças, enfermos, para desejar a paz e abençoar. Finalmente, estendeu-as sobre o lenho da cruz e os cravos impediram o fechamento das mesmas.
O homem da sinagoga tinha seca uma das mãos. Nós, muitas vezes, carregamos um coração ressequido… Isso, no entanto, poderia ser resolvido com apenas um gesto de boa vontade. Mas, será que ainda somos capazes de confiar na misericórdia de Deus?

Colheram espigas no sábado…

janeiro 10th, 2012

acisa.org.br

Como nasci na roça, sou fascinado pela ideia de colheita. Colheita para mim significa fartura, reunião de pessoas e comida na mesa o ano inteiro! Sou de um tempo em que se colhia muito arroz, milho e feijão e se armazenava tudo com a casca, ou palha, para o sustento ao longo do ano. No dia da colheita era preciso organizar mutirões, pois tal atividade demandava muitos braços. Jesus, ao que parece, também gostava de colheita. Chegou a comparar o reino do céu com uma colheita e viu a falta de braços para essa tarefa quando disse: peçam ao senhor da messe que envie trabalhadores para a mesma…
Certa ocasião, ele foi acusado de permitir uma colheita em dia de sábado, um dia de preceito para o judaísmo (Mc 2,23-28). Ele e seus discípulos, estavam com fome e, resolveram, “forrar o estômago”, enquanto atravessavam uma plantação de trigo. Logo vieram os legalistas de plantão e o enquadraram nos rigores da lei: Por que você e seus discípulos “trabalham” em dia de preceito? Trabalhar era uma palavra forte, para quem estava apenas, arrancando algumas espigas com as mãos! Jesus deve ter pensado: “Ô exagero, meu Deus”! De fato, era um exagero. Os fariseus queriam construir uma cerca de proteção em torno da lei, que naquele tempo, era composta por mais de seiscentos mandamentos! Ninguém conseguia guardar aquilo tudo. Nem eles mesmos, pois trabalhavam no culto em dia de sábado. Aqui havia muita contradição. Os sacerdotes, então, estariam em pecado, pois para que o culto sabático funcionasse eles teriam que atuar… Jesus não estava fazendo uma colheita. Isso era outra coisa. Dependia de ferramentas, animais, vasilhame, etc. Estava apenas tirando o jejum do estômago. Os rigoristas poderiam “enquadrá-lo” (a palavra vem de quadrado…) em quatro infrações:
- Fazer colheita: estavam arrancando as espigas!
- Debulhar: certamente eles esfregavam as espigas nas mãos ou vice-versa…
- Peneirar: Muito provavelmente eles sopravam os grãos!
- “Estocagem” de alimentos – armazenamento de comida: Com certeza, eles engoliam os grãos, pois estavam com fome!
Aqui, podemos perceber o exagero do legalismo e da bobagem. Esse é um risco que corremos em todos os tempos, inclusive hoje. Quanta gente ainda sofre por causa do legalismo! Quantos presos já cumpriram a pena e não tem como se livrar da cadeia porque não pode contar com um “especialista” da lei para livrá-lo daquela situação! Quantos pobres são prejudicados porque não tem acesso aos benefícios da lei? Quantos “amigos” se beneficiam das brechas da lei? Quanta gente vive à custa do emaranhado das leis?
Jesus não deixou sem respostas aos fariseus daquele tempo. Citou-lhes, apenas uma passagem da lei – 1ª Samuel 21,2 – (que deviam conhecer!), quando Davi, fugindo de Saul, comeu os pães consagrados para matar a fome. Essa passagem da Bíblia, ao que parece, que eles haviam-se esquecido. Aliás, lembravam bem, apenas o que lhes interessavam! Agindo assim, Jesus mostra que o homem está acima da lei. A lei não deve ser colocada como um valor máximo. Ela existe para o bem do ser humano e não ao contrário. Vale a pena pensar sobre isso!
Fiquei meio pensativo, certa vez, quando um moço, por aqui, chegou a ser preso porque furtou um saquinho de maçãs… Será que alguém furtaria maçãs num supermercado, apenas por vadiagem? “O sapo pula não é porque acha bonito, mas por necessidade”! Até que ponto, “pegar um pra Cristo”, é cristão? Há uma grande diferença entre um roubo à mão armada e furtar um pouco de comida num supermercado, você não acha? A lei da propriedade privada deve falar mais alto do que o reclame da barriga?